Minha avó nasceu em 1930. Mudou para São Paulo na infância, e só voltou para Americana na adolescência, que não existia naquela época. Estudou. Lá pelos 20, casou. Teve quatro filhos, mas a primogênita morreu logo após o parto. Ia a bailes dançantes com meu avô, que só acabavam quando o sol raiava. A conheci como dona de casa, mas era costureira numa pequena fábrica que era de meu avô. Para seu orgulho, todos seus filhos fizeram faculdade. Gostava do miolo do pão e de banana, que chamava de "rainha das frutas" porque leu isso em algum lugar. Morava na mesma casa há uns 50 anos, mas desde pouco antes da morte de meu avô, em 1990, cedia parte do imóvel para o consultório odontológico de um tio. Pouco depois, descobriu o prazer de viajar pelo país junto de excursões cheias de outros velhinhos, e assim ela conheceu toda região sul do país, o Pantanal, a Bahia, Brasília e especialmente Caldas Novas, em Goiás, pra onde ela foi algumas (várias) vezes, atraída por suas fontes termais. Gostava de fazer tricô e de caça-palavras. Tinha dois cachorros e uma maritaca. Toda vez que me via, dizia que meu avô, imberbe, teria muita inveja de minha espessa barba. Todos os anos dava R$50 reais de presente de aniversário, para cada neto, com a recomendação "compra uma calça bem bonita para você". E eu comprava livros.
As 17h30 da tarde dessa última segunda-feira, estava na frente de sua casa, vendo o movimento da rua. Duas horas depois, estava em sua cama, dormindo para mão mais acordar. Coisas do coração, sempre fulminantes. Deitada ao seu lado, Sandi, sua cachorrinha e fiel escudeira, chorava baixinho notando que algo estava errado, talvez uma das maiores honrarias que alguém pode receber. Havia completado 78 anos no último dia 11.
Enfim, a melhor das partidas. Em casa, ao lado de tudo que lhe fazia algum sentido, com a mesma paz e simplicidade que marcou toda sua vida.
A última lembraça que tenho dela é do último domingo, depois do almoço, quando se despediu de mim com a mesma disposição de sempre. Me disse um risonho tchau e abanou os braços. E foi embora, para apenas deixar saudades.
As 17h30 da tarde dessa última segunda-feira, estava na frente de sua casa, vendo o movimento da rua. Duas horas depois, estava em sua cama, dormindo para mão mais acordar. Coisas do coração, sempre fulminantes. Deitada ao seu lado, Sandi, sua cachorrinha e fiel escudeira, chorava baixinho notando que algo estava errado, talvez uma das maiores honrarias que alguém pode receber. Havia completado 78 anos no último dia 11.
Enfim, a melhor das partidas. Em casa, ao lado de tudo que lhe fazia algum sentido, com a mesma paz e simplicidade que marcou toda sua vida.
A última lembraça que tenho dela é do último domingo, depois do almoço, quando se despediu de mim com a mesma disposição de sempre. Me disse um risonho tchau e abanou os braços. E foi embora, para apenas deixar saudades.
4 comentários:
Nossa... que lindo, amor. Até me emocionei aqui.
Foi em paz, como deveria ser, sempre. Lindo Jão. Meus pêsames pela perda.
Meus sentimentos.
Ela nunca sonharia em ter sua vida resumida em um blog para posteridade, né?
É, não, Gabi. Ela morreu acreditando que teclados eram pequenas máquinas de escrever, tadinha.
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