Há coisa de uns dez anos me lembro que, ao ver determinada (e esquecida) notícia a respeito da onda do politicamente correto em um jornal de grande circulação, pensei lá com meus botões que "o bom do Brasil estava ficando igual ao pior dos EUA", e me lembrei de tal raciocínio na semana passada, ao dar de cara com o caso da garota da Uniban, que todos à essa altura já devem conhecer. Como é que pode, uma turba de um país supostamente libertário condenando uma jovem, que absurdo.
O caso vem sendo uma das histerias coletivas mais engraçadas dos últimos tempos, um festival de hipocrisias tremendamente divertidas. Hilário condenar os estudantes por serem preconceituosos e em seguida lembrar que a Uniban é uma faculdade de pobre, não? Ou, melhor ainda, garotos e garotas educados de todo o país mostrarem toda sua revolta contra o caso na rede enquanto em algum momento de suas existências, já lançaram olhares desconfiados contra aquela garota que "dava pra todo mundo" da vizinhança. Existem inúmeros exemplos dentro de incontáveis variáveis, mas no final das contas o caso apenas revela um daqueles aspectos de nossa cultura que preferiríamos manter devidamente escondido debaixo do tapete.
Linchamentos são crimes complicados de investigar ou julgar porque a massa não tem rosto ou nome, e esse parece ser o caso. Na fúria de condenar os agressores da garota de vestido rosa, os inquisitores são tão perversos quanto a inquisição, despejando os mesmos berros e a mesma cólera sobre o objeto de seu ódio. A loucura momentânea ainda é a mesma, apenas mudou de lado. Todo aquele ódio e irracionalidade de alguma forma está dentro de nós, sempre esteve.
O pior de tudo é que o vestido da mocinha nem era tão curto assim.
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