22 dezembro, 2008

eu gosto do galvão bueno

Já falei várias vezes e não custa repetir: eu gosto do Galvão Bueno. De verdade, eu gosto. Existe uma pancada de pessoas que não gostam do narrador, mas parece que muitas delas também são fãs de futebol, e contrariá-las poderia parecer pirraça. Mas dessa vez não é, pessoal. Eu realmente gosto do Galvão Bueno. Juro.

Me limito a ver a Globo por livre e espontânea vontade poucas vezes ao ano, geralmente na transmissão das corridas de F1. Eu assino a Sky (que aliás, detesto com todas as forças) em minha casa, e posso garantir que na SporTV o nível da transmissão é sofrível. Os narradores que se revezam nas transmissões sempre têm conhecimento pobre da categoria e o comentarista Lito Cavalcanti é um sujeito que simplesmente não deveria estar lá.

Um causo rápido: nos treinos para o GP da Europa de 2008, Fernando Alonso ia para a pista e por alguma razão "pisou" com a roda de seu Renault numa faixa branca que existe pintada no asfalto da saída dos boxes, o que é proibido pelo regulamento (coisas de segurança, santa). No replay, Galvão prontamente identificou a irregularidade da manobra (o que, vá lá, não era nenhum mistério), ao contrário de seus amigos do canal pago, que fizeram dezenas de conjecturas a respeito do porquê a cena estava sendo reexibida. Agora imagine que isso acontece dezenas de vezes por corrida. Então.

Mas esse texto é sobre o Galvão Bueno.

Poucas coisas me deixam mais feliz do que sua voz de Marlboro vermelho saudando os telespectadores com seu "bem amigos da Rede Globo voltamos em definitivo para as emoções do grande prêmio..." na manhã dos domingos. Aquilo tem uma energia especial, é verdadeiro. Galvão sabe o que faz.

A transmissão da Fórmula 1 tem uma dinâmica diferente da de um jogo de futebol. O narrador sabe entreter o público com um monte de balelas divertidíssimas, como, por exemplo, quando ele lê o pensamento dos pilotos ("Massa freou dentro da curva ao lado de Hamilton, e disse 'sai pra lá, essa posição é minha' para o inglês"), conta conversas fictícias que ele teve com os pilotos antes das provas mesmo que a transmissão seja offtube ou levantando hipóteses de viradas impressionantes que podem acontecer no final de corridas chatas, em que os líderes da prova batem em retardatários a 50 metros do fim e o cara que estava na terceira colocação é o vencedor. Pode parecer bobagem, mas pelo menos me prende no sofá. Isso é gingado puro, ou um tipo de hipnose. Mas funciona.

Claro que Galvão fala bobagem. Mas se todo mundo fala, ele também pode. Há um tempo ele vinha chamando a Renault de Benetton, a Williams de Brabham e a BMW de Williams. Era adorável, mas ele parou desde que começou a ignorar os pedidos da Mariana Becker para entrar no ar - o que é uma pena, já que as vezes ela tem alguma coisa importante pra dizer.

De qualquer maneira, a dinâmica entre Galvão e Reginaldo Leme - que, arrisco dizer, é um dos maiores conhecedores da categoria no mundo - é fantástica e verdadeiramente enriquecedora.

O narrador já anunciou que pendura o microfone depois da Copa de 2014 e a presença de Luciano Burti como comentarista nas duas últimas temporadas mostra que Reginaldo Leme prepara um sucessor à altura. Não sei o que será da F1 sem a presença dos dois, mas sei que será um pouquinho mais fria e sem o jogo de cintura de quem tem tantos anos de experiência no que faz.

Sem falar que o Cléber Machado é um puta pré-frio.

2 comentários:

Anônimo disse...

Vc gostar do Galvão na fórmula 1 até dá pra engolir. Ia assustar se você falasse que gosta do Casagrande no futebol. Aí meu caro, ia ser dureza.

"I puty the fool who likes Casagrande".
Mr. T

Anônimo disse...

É impressionante como existem pessoas que compartilham o mesmo pensamento por determidado assunto. Aqui estava eu, assistindo o prêmio o Barhein quando a Mariana Becker pediu a palavra pra falar que o Massa tinha trocado de pneus, já não bastava ter que implorar para que o Galvão a escutasse, ele ainda retrocou a informação por achar desnecessária pois ela não falou pra que tipo de pneus o piloto tinha trocado soltando uma expressão chula e antiprofissional, aí fui pesquisar no Google sobre alguns casos ásperos pelo dois e encontrei esse comentário. Concordo, o galvão é muito inteligente, mas eu odeio quando ele quer falar sobre tudo demostrando conhecimento em todas as áreas...