17 setembro, 2008

dourando a pílula

#f1 Hora ou outra alguém ia acabar dizendo isso, e não é coincidência de que justamente no que parece ser o começo de uma crise econômica cabeluda Max Mosley venha a público sugerir que todos os carros de F1 usem motores idênticos. Por mais que a idéia pareça impraticável atualmente (já que seis das dez equipes inscritas no campeonato são fábricas que não têm nenhum interesse de colocar um motor estranho dentro de seus carros), há uns fatos que devem ser considerados:

-O orçamento anual de toda F1 hoje gira em torno de três bilhões de dólares. Parece (e é) uma montanha de dinheiro, mas não é muito diferente do PIB de uma cidade média/grande, por exemplo, com logística e administração repleta de particularidades. Como a maior parte do dinheiro vem da transmissão para TVs do mundo todo, qualquer abalo na audiência pode colocar tudo a perder.

-Praticamente (e só escrevi "praticamente" por educação) não existem mais categorias monoposto multimarcas ao redor do mundo. Na década de 90, a F3000 e a Indy tinham sucesso, rentabilidade e uma grande variedade de motores e chassis em suas corridas. E as duas quebraram.

-A sugestão atual fala a respeito de motores, mas daqui a pouco vão falar de chassis também. Só esperar. A GP2 e a A1GP mostraram para a Europa que no frigir dos ovos a diversidade técnica não é tão decisiva assim em seus rendimentos. No fim das contas, o que importa é o show.

-Recentemente Bernie Ecclestone comprou os direitos da falida GP Masters (categoria em que corriam apenas pilotos aposentados de F1), e a rebatizou de F1 Masters. Ainda não há data para sua volta, mas apostaria que possíveis soluções para a padronização técnica da F1 começariam por lá.

Sinceramente? Uma grande porcaria, e todos os envolvidos são plenamente conscientes disso. O crescimento dos orçamentos (e rendimentos) F1 nos últimos 15 anos soa com um alarme que avisa que o tombo também pode ser colossal ao menor sinal de crise. Há uns anos existe uma preocupação - as vezes, com cara de desespero - de diminuir essa bola de neve, e até agora ela tem se revelado infrutífera. Cedo ou tarde, alguma coisa drástica terá que ser feita. No caso de uma recessão, eu não apostaria nenhum centavo em alguma sustentabilidade econômica nos moldes atuais da categoria.

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