Um dia, chegou em casa de madrugada e viu o fantasma do Frank Sinatra na sala de sua casa. Não ligou e foi dormir - devia ser alguma alucinação. Mas no dia seguinte, ele ainda estava lá. Não incomodava, já que no lugar do habitual som das correntes típicas das almas penadas, havia o discreto tilintar das pedras de gelo infinitas em seu copo de uísque eterno. Pensou em chamar um exorcista, mas aquele era o Frank Sinatra - e não se pode expulsar Sinatra de casa, assim, sem motivo. Frank ficava quieto o tempo todo, em seu canto, perto da janela, olhando pra fora. Suspirava, às vezes. E nada mais.
Até que um dia não resistiu e pediu para Sinatra cantar I´ve got you under my skin. Frank fez de conta que não ouviu, e no dia seguinte não estava mais lá. Semanas mais tarde, recebeu uma carta em que dizia "Lamento que tenha acabado assim. Frank".
Então ele fez a única coisa que um homem racional faria: fugiu para as montanhas e abriu uma igreja. Está rico, agora.
6 comentários:
além do meu poder de compreensão.
Hahahaha.
Eu posso imaginar isso em HQ, escala de cinza, quase sem cenário e com linhas esguias.
Muito bom, deveria escrever mais ficção
Concordo com a Gabi, acho que não alcancei a magnitude da coisa, se é que ela existe.
Vindo de você, tinha que ser "I´ve got you under my skin".
Ótima piada, mas acho que você poderia ter colocado o Miles Davies nela, não gosto do marinheiro orelhudo do rat pack. Aliás, nunca entendi qual a graça do Frank Sinatra.
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