24 outubro, 2005

Fogo e paixão

No mesmo momento em que os "intelectuais" da internet se ouriçavam e começavam a preparar seus textos redundantes com toda espécie de declaração dispensável e que não interessam a ninguém sobre o resultado do referendo, um pano vermelho, com grandes letras góticas, era estendido ao fundo do palco da Arena Skol, no Anhembi. Para azar daqueles pseudopensadores, em poucos minutos começaria algo grande, belo, intenso, mas eles não conseguiam pensar nada além do próprio cu. Perderam.

No pano estava escrito... "Arcade Fire". Oh.
Era a hora.
Finalmente.

Tim Festival São Paulo, 21h. A banda mais quente do planeta ali, na minha frente - coisa incrível. Eu buscava redenção, paz, iluminação espiritual e o escambau. Os intelectuaizinhos tolos da internet e os moderninhos cheios de piercings que me rodeavam eram apenas o excremento imundo. Nada importava. A banda entra no palco - explosão, eu explodia - e tascam Wake up, e surpreendentemente várias pessoas ao meu redor começaram a cantar junto. Eu não estava sozinho. Maravilha, maravilha, o mundo estava bem. Tudo é belo, teatral, forte - com o bônus-bairrismo para nativos recalcados, tocam uma versão em inglês de Aquarela do Brasil, do Ary Barroso, que o grupo já tocava há um tempo em suas apresentações pelo mundo - e foi lindo. Uma hora depois - apenas uma hora, show muito curto - fechavam a apresentação com Rebellion (Lies), a música que David Bowie - o David Bowie, pô - afirmou ser a mais bonita que já ouviu na vida. A platéia está eufórica, mas acabou. Aplausos. Acabou. Já era. Eu estava feliz. Sorriso no rosto, nó na garganta. Impecável. O melhor da noite já havia passado, e o palco era desmontado - quase um sacrilégio.

Do resto, Mundo Libre S.A. abriu a noite e fez uma apresentação decente. M.I.A. foi tão ruim que o show acabou com a metade do tempo e Kings of Leon, fez um show horrendo, quase sem aplausos, no final. O grande evento da noite foi a banda Strokes, que empolgou a horda de moderninhos muito mais por ser um ícone do que pela apresentação entediada. Fecharam com Reptilla, pelo menos.

Acabou, então.
De vez.

5 comentários:

Anônimo disse...

cara, a noite, o clima, a cidade, tudo conspirou contra, mas ainda assim não conseguiram estragar a maravilhosa noite nossa, afinal, era uma noite unica, de celebrar a vida de uma forma jamais vista. sim, eles foram impecaveis como nos video q jamasi cansaremos de baixar, mas dessa vez era de verdade, ali na sua frente, foi um momento magico sem duvida.

G.G. disse...

...eu achei Strokes muito bom.

bela desrição do show. Deu ateh uma pontada de arrependimento de naum ter matado umas centenas de reais e pagar pra ver.

Anônimo disse...

por mais irritado que eu tenha ficado durante o show, as imagens ficam voltando.

foi especial.

somos jovens e podemos acabar envelhecendo ou morrendo a qualquer momento. é importante ser lembrado disso de quando em quando.

Anônimo disse...

O texto transpira paixão pela coisa toda, muito bom.

Unknown disse...

Eu ainda não acredito que vi esses caras ao vivo.