08 setembro, 2005

Plebiscito

“Vão-se os anéis, ficam-se os dedos”
Ditado popular

Há algum tempo adotei como norma para meu blog posts de tamanho mínimo, pois acredito que ninguém na net leia nada com mais de cinco linhas. Coisas de ciberespaço, sei lá. Esse será diferente – um pouco maior.

Votarei a favor da proibição da venda de armas no plebiscito que será realizado em novembro por um único e simples motivo: não gosto de armas. Aliás, nunca sequer toquei em uma – juro. Um instrumento criado para abater outro ser vivo (ou placa de trânsito) merece apenas meu repúdio. E só.

Mas... Acreditar que os índices de homicídios cairão com a proibição das armas de fogo é tão estúpido quanto aqueles cursos de direção defensiva e o escambau que o governo acha que empurrando goela abaixo do povo terá algum resultado para diminuir as mortes no trânsito. O governo acha muita coisa, e estranhamente, sempre erra.

Ter uma arma em casa para defesa pessoal é um assunto delicado: não faz muito sentido numa cidade – mesmo numa violenta e cheia de gente cretina, como a que vivo – mas provavelmente a situação muda pra quem vive numa zona rural no interior do Pará, por exemplo. Um lugar cheio de de bandidos, madeireiros e latifundiários sem muita paciência pra conversar não parece ser um bom lugar pra não se ter alguma proteção. Há uma horda de sociopatas que brotam no adubo da política nacional que causam alguns problemas em momentos de tensão. (Ah, se o governo chegasse até esses cafundós...)

Arma na mão de bandido é SEMPRE ilegal, e nada indica que aqueles AR-15 que estão na mão dos traficantes chegaram até lá por vias legais. Várias drogas são proibidas de circular no país, mas, ainda assim, circulam. Não vejo porque não acontecer o mesmo com armamento leve. Os traficantes de armas lucrarão um bocado com esse novo - e enorme - nicho.

Se as otoridades (sic) pretendem tomar atitudes enérgicas contra a violência, que mire na causa, e não no efeito: educação de verdade, emprego de verdade e DINHEIRO de verdade na mão do povo. Enquanto o índice de desigualdade social for crítico, a criminalidade e os índices de homicídios serão altos. Quem planta, colhe: gente burra, desempregada e pobre não pensa duas vezes antes de apertar o gatilho.

Pensando melhor, ainda não sei qual será meu voto.
E viva o Brasil.
Há.

Não gostou?
Pega eu

6 comentários:

Unknown disse...

Mudei de idéia. Comentários liberados.

Dalton disse...

Eu leio textos com mais de 5 linhas. Fui além do primário. É uma pena que no Brasil gente burra é cool e os inteligentes também não pensam muito antes de puxar um gatilho. Vide um colega seu de profissão, o jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves. Bom texto. MAnde mais

G.G. disse...

muda de idéia em relação aos comments tb!

no letrinhas!

....

(post 2)

Liberação de armas é legal justamente pq as pessoas se matam.
... e vice versa.

Vide documentário "tiros em columbine" - sensacionalista e interessante.

Anônimo disse...

Gostei do texto tb... Acho que a maioria das pessoas nem sabe que haverá o plebiscito.

Não nego que se eu tivesse a casa invadida, visse minha família passar por uma violência brutal e tivesse uma arma em casa e a oportunidade de descarregar na cabeça de um sujeito, faria... mas isso não resolve o problema.

Anônimo disse...

O importante é lembrar que essa lei não vai interferir na utilização de Machados.
"Protegendo a família com dano em Bal!!!"

Unknown disse...

Ainda acho que ter uma arma em casa é uma tremenda bobagem. Mas o Brasil é grande demais para que a polícia garanta, por si só, a ordem em todo território - ainda mais naquele mundão sem lei que tem lá encima.

Reagir a um assalto é uma besteira, que invariavelmente vai terminar com alguém machucado.

Se alguém invadir sua casa, ligue 190 e espere um tempo, pq cedo ou tarde a polizia aparece.

Stay beautifull, hungry, foolish and horny.

"slalag"