Mostrando postagens com marcador Eu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Eu. Mostrar todas as postagens

22 outubro, 2012

tchaikovsky


Não acredito naqueles que tentam convencê-lo que a composição é apenas um frio exercício do intelecto. A única música capaz de mover e tocar-nos é a que brota das profundezas da alma de um compositor quando ele é agitado por inspiração. Não há dúvida de que até mesmo os maiores gênios musicais têm às vezes trabalhado sem inspiração. Este hóspede nem sempre responde ao primeiro convite. Devemos sempre trabalhar, e um artista que se preze não deve cruzar os braços sobre o pretexto de que ele não está de bom humor. Se esperarmos o humor, sem se esforçar para encontrá-lo no meio do caminho, facilmente tornamo-nos indolentes e apáticos. Temos de ser pacientes, e acredito que a inspiração virá para aqueles que podem dominar seus aborrecimentos. 
Alguns dias atrás disse que estava trabalhando todos os dias, sem qualquer inspiração real. Se eu tivesse dado lugar a minha aversão, sem dúvida, deveria cair em um longo período de ociosidade. Mas paciência e fé não me falham e hoje senti o brilho inexplicável da inspiração que lhe disse, graças a qual sei, de antemão, que o que escrevo terá o poder de causar impressão e tocar o coração de quem o escuta. Espero que você não pense que eu estou entregando-me a auto-elogio se dizer que muito raramente sofro desta indisposição para o trabalho. Acredito que a razão para isto é que eu sou naturalmente paciente. Tenho aprendido a dominar-me, e eu estou feliz por não ter seguido os passos de alguns dos meus colegas russos, que não têm auto-confiança e são tão impacientes que a qualquer dificuldade estão prontos para jogar a toalha. É por isso que, apesar de tão presentes, realizam tão pouco, e que de forma amadora.
The Life & Letters of Pete Ilich Tchaikovsky

Vi aqui

15 outubro, 2012

o dia do professor

Hoje é dia do professor.

Assim, gostaria de prestar minha homenagem à mestre que teve maior influência à minha educação: Dona Eleuza, com quem tive aulas entre a quinta e oitava séries.

Uma pessoa desprezível sob qualquer aspecto. Uma professora de ciências que não acreditava na evolução. Uma educadora que não gostava de crianças. Uma pessoa que tinha um emprego incrível e que poderia mudar a vida de muitas pessoas, mas escolheu a mediocridade, a vilania e a ignorância.

Ausente de caráter e competência, que me ensinou que invariavelmente as coisas que você quer aprender sempre estarão distantes das salas de aula. Que o conhecimento simplesmente não vem até você. Que ele deve ser perseguido e conquistado, mesmo quando alguém abertamente te estimula para que faça o contrário.

Do fundo de meu coração, espero que ela esteja morta. Enterrada em vala comum, como tudo os valores que ela representa.

Aos demais professores, meu sincero e fraterno abraço. Trabalhem pelo bem.

07 julho, 2012

briguei com a social media

Outro dia conversei com meu amigo Dalton. Adoro o Dalton. Uma boa pessoa, um bom amigo, um tipo que não se encontra facilmente por aí. Sim, conversei com o Dalton - via Skype. Como não nos falávamos há tempos, o clima de carinho e respeito mútuo era maior que a fluidez da conversa. Nenhum pecado. Ficaram velhas todas as notícias, como já falou Drummond.

Eu poderia estar mais inteirado da vida do Dalton, e o Dalton poderia estar mais inteirado da minha. Seria caso apenas de eu postar meus pensamentos no Twitter, meus manifestos no Facebook, meus sites do Stumble, minhas notícias no Google+, minhas fotos no Instagram, meus passeios no Foursquare, minhas músicas na Last.fm, meus trabalhos no LinkedIn, meus horários no Path, meus desejos no Pintrest e meus projetos no Schemer, mas acho que aí não sobraria muito tempo para viver.

Simplesmente não vejo mais razão nisso.

Me sinto um idiota quando noto que vivemos em um tempo que somos estimulados a entreter e sermos entretidos a todo momento. Devemos compartilhar, compartilhar e compartilhar. E por alguma razão isso nos deixa mais egocêntricos, mais preocupados com nossos telefones celulares do que com as pessoas de verdade em encontros sociais.


Há cutucões, há likes, há mensagens, há excesso de informações. Há espertalhões. Há termos técnicos inventados para impressionar incautos. Há novos aparelhos. Há novas ferramentas. Tudo - definitivamente tudo - para indisfarçadamente pegar as fórmulas tradicionais de comunicação,  embalá-las de forma diferente e vendê-las como algo completamente novo.


Então, quando as pessoas se cansarem dessa rede social, irão correndo para aquela nova. quase parecida tirando esse ou aquele detalhe. Para então começar tudo novamente.

Desculpem, não é pra mim.

Prefiro me expor demais e chatear as pessoas à forma antiga, como neste blog que tenho há tanto tempo. Porque não quero que todos leiam esse texto. E até porque não me importo com isso.

05 julho, 2012

poe's law

Poe's Law is an axiom suggesting that it's difficult, if not impossible, to distinguish between parodies of religious or otherfundamentalism and its genuine proponents, since they both seem equally insane.
Poe's Law. Pronto, anotado para futura referência

14 setembro, 2011

medo desses hyundai

Começo de noite de uma terça-feira. Depois de mais um dia de trabalho pego minhas coisas e vou para casa. Enquanto caminho em direção a meu carro a normalidade dos eventos é interrompida por uma buzina aguda.

Uma elegante senhora de uns 40 e poucos anos deu ré em seu Hyundai ix35 sem se preocupar muito com o trânsito ao redor - que aliás, costuma ser leve no horário. Só não acertou um Ecosport e um Corsa que passavam na rua em sua manobra imprudente porque o motorista do Ford protestou com de maneira contundente com um longo buzinar.

A motorista do Hyundai gritou "você é louco", mas deixou os dois passarem. Então saiu acelerada, fazendo uma curva de raio excessivamente aberto no sentido em minha direção - no sentido contrário em que iam os carros que ela quase acertou.

Se eu não desse um passinho para trás e voltasse para a calçada, a madame me atropelaria com seu Hyundai. Me pegaria sobre uma faixa de pedestres no que, para ela, seria a contramão da vida. Apenas pensei "ah, Hyndai" antes de vê-la passando por um semáforo verde com uma determinação que me faz ter certeza de que ela não pararia mesmo se ele estivesse vermelho.

Não tenho absolutamente nada contra os carros da Hyundai. Não passam de lata, plástico, tecido e borracha quanto quaisquer outros da rua. Mas longe de condenar publicamente todos que optam por modelos da marca, me confesso abismado com a preferência que um tipo bem determinado de pessoa tem por estes carros coreanos.

Parecem ter a preferência daquele tipo rico que gosta de  ver os outros por cima. Daquele tipo que acha que não precisa exatamente cumprir todas as leis de trânsito, todos os códigos de conduta, todas as regras do bem-viver, todos os códigos de educação, mas que se revolta profundamente se qualquer um lhe falta com os modos. Aquele tipo de gente que não olha serviçais nos olhos e que acredita que de fato existe um tipo inferior de gente. Aquele tipo que acha que dinheiro compra bom gosto.

Enfim, um tipo bem conhecido de gente, que no trânsito vira um perigo à bordo de seus Hyundai num frequência bem mais alta do que nos Ford, VW, Chevrolet, Fiat, Honda, Toyota, Renault, Peugeot e tantas outras que estão por aí. Nem mesmo a Kia, outra coreana que vem chamando a atenção nos últimos tempos por conta de seus altos índices de qualidade, atrai tanto esse tipo de gente. O problema é com a Hyundai mesmo.

Tantas (inúmeras!) fechadas de Tucson, tantos Azera ocupando duas vagas nos shoppings, quantos i30 andando devagar no meio da rua ou rápido demais na faixa da direita. Não pode ser coincidência, não tem como.

Um dos culpados, acredito, pode estar nas propagandas da marca. Mentirosas compulsivas, citam prêmios que não existem e virtudes irreais com um narrador que faz vozes sexuais, que quase tem um orgasmo ao dizer o nome da marca e dos carros. Aquele tipo de gente parece ser bem esquisita.

Não me ofereço a tecer conclusões. Apenas sugiro que tal fenômeno seja estudado com cuidado. Uma marca de carros conseguiu compreender com perfeição a psiquê de uma problemática classe média local, que nos últimos tempos tem se usado o racismo, homofobia, mentiras e terror para se defender de um povo que a olha de maneira cada vez mais desconfiada. Um novo veículo, supostamente luxuoso e sofisticado, para pessoas supostamente educadas e cidadãs. Aí tem.

06 maio, 2011

correspondência a um amigo

No último sábado conversava com o amigo @danielfilho a respeito do próximo big hit tecnológico que a humanidade deverá e poderá encarar. Segue:


(...)


Conversávamos sábado a respeito do que será a próxima internet, você se lembra. Acabei refletindo um tanto a respeito do assunto e me ocorreu uma coisa que gostaria de compartilhar com vc.


Deve ser de nossa natureza supervalorizar os tempos em que vivemos. Primeiro porque (pelo menos em teoria) o que fazemos é que mantém o mundo funcionando. Depois que dada nossa proximidade com os fatos temos grande dificuldade em relativizar nossos tempos dentro de um contexto histórico. Imagine que no final do século XVIII os britânicos não deviam imaginar que o advento da máquina a vapor daria início à tal da revolução industrial - que seria figura obrigatória dos livros de história depois de 300 anos - ou que a queda do império francês iria mudar a política em todo o mundo. Os exemplos são abundantes por aí.


Agora imagine um personagem qualquer que tenha nascido 100 anos antes que a gente nos EUA, mais precisamente no Texas ou Califórnia, e que tenha vivido 90 anos. Vamos chamá-lo de Willy.


Nascido no começo da década de 1880, Willy nasceu na plenitude do período que conhecemos como o velho oeste. Naquela época o telefone ainda estava em desenvolvimento e o automóvel ainda não havia sido inventado. Não existia distribuição de energia elétrica ou saneamento. O avião só seria inventado em 1906, o plástico só seria "domado" em 1909 e a primeira transmissão comercial de rádio só aconteceria - olha só - em 1920. Até a morte de Willy a humanidade ainda criaria a bomba atômica, criaria os primeiros computadores e chegaria à lua. E então só aí nós nasceríamos.


Talvez daqui a 300 anos a criação da internet seja vista como um passo com a dimensão da revolução industrial ou será jogada nos rodapés dos livros (livros?) de história como uma ressaca dos tempos de nosso Willy. Nunca saberemos disso. Quando vemos exercícios de futurologia dos anos 30, 40 ou 50 temos um mundo de carros que voam, roupas metálicas e viagens espaciais rotineiras já em 2000 - há 10 anos. Sob a ótica de um sujeito que viu dramáticas revoluções técnicas em praticamente todos os campos de sua vida cotidiana num espaço tão curto de tempo, tais hipóteses não são tão absurdas.


Esperar por uma "nova internet" pode ser uma bobagem sem tamanho do ponto de vista histórico. Antes de cada revolução técnica existe um esgotamento técnico/conceitual da tecnologia existente um rompimento de seus valores, uma crise e uma nova criação. Já as criações do "tempo de Willy" ainda parecem estar em franco desenvolvimento. Um smartphone é a fusão de um computador, um rádio e um telefone, a internet é uma fusão de uma série de mídias que nós já conhecíamos. Um automóvel elétrico dispensa o motor a combustão, mas não inova em outros aspectos - é apenas um automóvel. 


Antes de uma eventual crise ainda deverão ver uma série de sinergias técnicas, fusões de funcionalidades e esgotamento de possibilidades - e será aqui onde nós vamos entrar. Acredito que não estamos exatamente numa fase de criação técnica, mas sim em uma fase de rápido refino e aperfeiçoamento. O que surgir depois disso provavelmente não irá pertencer a nós.

05 maio, 2011

perdendo a inocência

Examina os documentos rapidamente e então, com os olhos fixos na tela do computador, me pergunta:

-Desde quando você vive neste endereço?
-Agosto de 98.
-Mas em nosso cadastro atual consta abril de 2007.
-Mas eu moro na mesma casa desde agosto de 98.
-Aqui consta abril de 2007.
-Agosto de 98.
-Abril de 2007.
-Agosto de 98.
-Abril de 2007.
-Abril de 2007.
-Abril de 2007?
-Abril de 2007.
-Então ótimo.

18 junho, 2010

eu ainda gosto do galvão bueno

Há um tempo escrevi um texto em que expressava minha admiração pelo narrador Galvão Bueno, aquele que considero ser o melhor do país. Pela irrelevância de meu blog, o texto era mais uma carta de compromisso que pretendia guardar para momentos especiais - como este - do que uma expressão pública de afeto pelo sujeito. Que, aliás, eu gosto mesmo, de verdade, de coração.

É fato público e geral que durante a cerimônia de abertura da Copa o termo "CALA BOCA GALVAO", assim, todo em caixa alta e sem o til, chegou ao topo da lista dos termos mais mencionados no Twitter, atual termômetro de tendências que guia a web e a imprensa em geral (hey, isso foi uma crítica). Então os gringos ficaram confusos e os brasileiros resolveram sacanear falando para todos que o caso era uma campanha para se salvar uns tais pássaros Galvão, bichos fictícios que eram mortos por conta de suas penas durante o carnaval. O assunto teve tanta notoriedade que teve que ser explicado no New York Times, El País e outros jornalões estrangeiros por aí. Na hora foi engraçado, agora não é mais.

Durante a sessão classificatória do GP do Brasil caiu um temporal pesado que atrasou a entrada dos carros na pista por nada menos do que duas horas e meia e durante todo este tempo a transmissão da TV - com imagens geradas pela FIA - se resumiu a imagens da água caindo na pista, das pessoas de molhando nas arquibancadas e dos pilotos e membros de esquipes assustados com os humores do clima paulista. E durante estes longos cento e cinquenta minutos Galvão ficou lá, usando todo seu imenso jogo de cintura para não deixar a bola cair. Falou, contou histórias dos velhos tempos, relembrou antigas disputas acontecidas na pista brasileira, falou, falou e falou, como tantos conseguem fazer nessas situações.

Essa semana, Galvão falou até a respeito do prank CALA BOCA GALVAO, alguma coisas como "Quando se entra na casa de tanta gente, é normal que esse tipo de coisa aconteça. É uma demonstração de carinho. Estou com os pássaros Galvão e não abro", em um tom verdadeiramente animado. No Brasil talvez somente o Silvio Santos teria tamanha presença de espírito para lidar com uma situação dessas com tamanha desenvoltura e desprendimento. Sujeitos como Datena, Ratinho ou Milton Neves provavelmente protaginizariam faniquitos históricos em rede aberta de TV.

22 março, 2010

sutilezas

Um dos aspectos que vem mais chamando a atenção nos últimos tempos é o comportamento dos brasileiros nas Trending Topics do Twitter. Mais do que um termômetro de humores e assuntos - o que, geralmente, por si só já são motivos de imensa agonia e vergonha -, os termos mais postados pelos meus compatriotas mostram uma quase total falta de capacidade de lidar com sutilezas, quaisquer que sejam. Enquanto os anglófonos estão habituados a hashtags sucintas como #3wordsaftersex, #nowplaying e outras bobagens, os brasileiros vão um pouco mais além, com #tuitealgomuitoantigo ou #senna50anos, que está no ar no momento que escrevo essas porcarias. Será que é sempre necessário pedir que alguém "tuite algo"  para que ela faça parte de um meme ou explicar que o 50 depois do sobrenome Senna é relativo à idade que o legendário piloto completaria neste domingo? Mais do que desperdiçar alguns preciosos caracteres dos parcos cento e quarenta disponíveis no serviço de microblog, o que me preocupa de verdade é essa imensa incapacidade de sintetizar ideias simples.

Aproveito a chance para dar uma dica: talvez esse post tenha alguma coisa a ver com o anterior. Ou talvez não.

fragmento de um pensamento aleatório

Será que algumas leis são realmente necessárias? A existência de artigos que especificadamente obrigam os motoristas e passageiros de veículos a usarem cinto de segurança ou que proíbem o aborto, por exemplo, evidenciam que as preocupações do estado são mais amplas do que a simples manutenção da ordem. Nesses dois casos a Lei passa passa por cima do cidadão e toma o lugar de seu bom senso, sensibilidade e consciência, o livrando da responsabilidade de tomar suas próprias decisões, sejam elas quais forem. A impressão que fica é que os bons modos devem ser escritos na constituição federal para serem levados em conta e que necessidades pessoais (junto de suas respectivas consequências) são de responsabilidade do governo. Talvez esse seja o resultado de um estado tremendamente paternalista. Ou de um povo tremendamente imaturo e idiotificado. Ou, pior, ambos.

17 fevereiro, 2010

piada velha: a morte de fidel castro

Desde agosto de 2006 mantinha em minha lista de rascunhos um pequeno post a respeito da morte de Fidel Castro, coisa que a imprensa internacional espera com alguma ansiedade desde a época,em que seus problemas de saúde começaram a ficar mais evidentes e suas internações mais freqüentes. Coisa boba, uma piada besta e curta escrita num tempo em que este espaço ainda contava com alguns poucos leitores e antes do advento do Twitter, que com seus 140 caracteres faz toda uma geração treinar todo seu poder de síntese. Depois de tanto tempo, resolvi me adiantar à própria natureza inevitável da coisa e simplesmente publicá-la, assim, sem mais nem menos. Há pouco demais a se perder ou a se ganhar. Bobagem segurar uma coisa por tanto tempo no peito. Então lá vai, não se esquecendo de que ela diz respeito a um fato que não aconteceu:
Fidel Castro morreu. Mas se o Hugo Chávez perguntar, por favor digam que ele foi morar numa fazenda que tem tudo o que ele gosta.
Pronto.

15 janeiro, 2010

imbecil

Clauro, o pior cartunista do Brasil - quiçá do mundo - e um clássico exemplo de humor sem qualquer vestígio de graça feito para reacionários ou completos ignorantes:


Roubado da página 2 do jornal O Liberal de 15 de janeiro de 2010.

09 janeiro, 2010

homens de pedra

1 - Tudo em torno do portal Princesa Tecelã, que eu carinhosamente costumava chamar de Fat Madonna Like a Virgin, sempre pareceu tremendamente errado. As motivações do artista sempre foram questionáveis, assim como as da prefeitura ao autorizar a obra.

2 - Sua construção pode ser classificada de uma pequena catástrofe. O artista alega que houveram alterações de última hora e que um dos moldes foi atropelado por um trator, além do clássico diabo a quatro que sempre aparecem nessas situações. Mas mais interessado em pegar o dinheiro e ir pra casa do que na integridade artística da obra, de qualquer maneira Gagliastri permitiu que a coisa saísse como saiu.

3 - Consultada, a população local se mostrou simpática à idéia em dar um fim às criaturas. Na realidade, a idéia até foi recebida com entusiasmo por alguns.

4 - Apesar de estar certo do contrário, o prefeito é apenas o administrador, e não o dono da cidade. Ainda que tudo tenha dado enormemente errado, ele não pode arrumar uma desculpa esfarrapada para destruir uma obra que ele declaradamente nunca gostou na primeira chance que aparece em sua frente. Agora, provavelmente, a prefeitura será processada. E perderá.

5 - Fui até o local da obra e guardei um pequeno souvenir como lembrança da imbecilidade e tacanhez de todos - absolutamente todos, incluindo eu, um mero expectador - os envolvidos na história:


de volta ao lar

Ión, o cachorrinho de três patas, já está com seu dono desde a metade da última semana. Ele fugiu de casa assustado com a fúria dos fogos de reveilon e já na segunda-feira conseguimos identificar seus pais, que estavam preocupados com seu sumiço.

Deveria ter avisado antes, mas queria estar certo do que estava falando antes de qualquer anúncio oficial. Obrigado a todos que se sensibilizaram com a situação.

02 janeiro, 2010

trilegal: procura-se um dono (ou o dono)

Durante um passeio descompromissado por Santa Bárbara d´Oeste, neste sábado dia 2, eu e Raíssa encontramos esse sujeitinho aí muito fraco, tentando atravessar uma rua movimentada, mas assustado com a velocidade e o barulhos do carros que passavam a poucos centímetros de distância, em alta velocidade. Momentos depois, já devidamente recuperado graças a um pouco d´água e atenção, era fácil notar sua simpatia, apesar dele precisar de um bom banho:



"Oie"


Num primeiro contato deu pra ver que ele tem algum quê de Terrier ou de Yorkshire e é muito dócil, gosta de um colo e está acostumado a andar de carro, um digno cachorrinho de madame. Pelo excelente estado de seus dentes, é possível crer que ele tenha entre um ano de meio e dois anos de idade. É castrado, e, mais importante, não tem a pata traseira esquerda, um detalhe insignificante quando se lembra que de uma maneira ou de outra ele vai te amar por completo:



"Oi de novo"


Enquanto procurávamos por seu dono descobrimos que ele está perdido pelas ruas do bairro São Franciso desde ontem, dia 1º, e que ele parecia realmente muito grato por estar sendo ajudado. Mas como cachorros não falam não conseguimos encontrar sua casa, e por isso procuramos seus antigos responsáveis ou alguém que se disponha a cuidar deste rapazinho com todo carinho e atenção que ele merece.

Como eu já tenho cinco cães - todos bem maiores e de rua, diga-se de passagem - infelizmente não tenho como ficar com ele. Uma pena.

Se alguém quiser adotá-lo ou souber quem são seus donos, por favor entre em contato comigo pelo e-mail jf.brunelli [arroba] gmail . com.

Obrigado e excelente 2010

23 dezembro, 2009

liberdade na tv

De umas semanas para cá tenho visto pela TV o comercial de uma tal de ABPTA - Associação Brasileira dos Programadores de Televisão por Assinatura - contra um tal projeto de lei que prevê que as operadoras e os canais fechados tenham cotas mínimas de programação nacional em suas grades e programação.

Há um certo clima de afetação no filmeco de 30 segundos e no final eles indicam um link para o site do movimento, incrivelmente chamado de Liberdade na TV - nome que imediatamente me faz lembrar aqueles grupos de extermínio africanos que têm nomes bonitos como Exército da Liberdade e Amor, mas que no final se limitam a matar criancinhas e incendiar vilarejos.

Enfim,

entrei no site, que afirma representar canais estrangeiros no Brasil e é mancumunado com a ABTA, aquela mesma que há anos vem dando escândalo por conta da abusiva cobrança de pontos adicionais, mamata que eles tanto querem manter a qualquer custo. Em tom de ameaça (usando aquela velha tática do quem avisa amigo é), dizem que a tal lei pode fazer o preço dos pacotes básicos pode subir até em 80%, enquanto clamam motes deliciosamente hipócritas como "Não me digam o que devo assistir/ ajude quem quer produzir/ Liberdade significa mais concorrência/ Concorrência significa mais opções/ Diga sim à liberdade". Achou sem sentido? Eu também. E vai além, como o trecho a seguir, diretamente retirado de seu FAQ:

Apesar de existir uma cota para obras européias em 50% do tempo de transmissão, a União Européia é composta por 27 países que produzem conteúdo. Esta regra foi estabelecida justamente para fortalecer o bloco e permitir a diversidade cultural entre os países membros.

Se eu entendi direito, sob essa ótica, o Brasil, que "não produz conteúdo", nunca irá produzir, mas não há motivos para isso porque existe uma unidade cultural nacional. Mas claro, eles apresentam alternativas genias às cotas. Se segura, por que agora o lance fica FODA:

• Revisar a incidência tributária, aprimorando os atuais mecanismos já consagrados de fomento, como aqueles estabelecidos na Lei Rouanet, para incentivar o desenvolvimento de obras audiovisuais nacionais e o patrocínio de produções nacionais.
• Permitir que parte dos recursos do FUST, contribuição esta criada para viabilizar o dever legal das concessionárias públicas de universalizar a telefonia fixa, seja utilizado para fomentar a produção nacional.
• Fortalecer os mecanismos anti-pirataria e aprimorar a fiscalização para que os produtores nacionais sejam devidamente remunerados.
• Promover campanhas educacionais nas escolas para valorização do conteúdo nacional. Cota para programação de conteúdo nacional durante o horário nobre na TV por assinatura não cria demanda!
• Incentivar investimentos estrangeiros em produções nacionais, que além de gerar emprego no país permitirá a difusão da cultura brasileira.

Traduzindo:
•Menores impostos (pra eles)
•Financiamento do governo (a.k.a. dinheiro fácil)
•Combate à pirataria (o que só beneficia a eles) 
•Criar demanda (só colocaram isso pra parecerem nobres, mas não se deixe enganar)
•Incentivar a entrada de dinheiro gringo (o que deveria ser tarefa deles, não do governo)
 É preciso ser um tanto cego, ignorante ou alimentar uma boa síndrome de Estocolmo pra apoiar a ABPTA nessa jornada Quixotesca aparentemente estimulada unicamente pelo desejo de não ter que tirar sua honorável bunda da cadeira. Não questiono os méritos da lei, mas não é preciso forçar muito a memória para lembrar que as empresas de TV por assinatura - assim como tantas outras - historicamente se preocupam mais em defender seus próprios interesses do que lutar pelos interesses de seus consumidores

São elas que vivem tentando inventar novas taxas de instalação, manutenção, aluguel de equipamentos, fidelizações, reconfiguração de planos, mudanças de canais e outras coisinhas e coisonas que no final das contas só ferram o tal consumidor que eles dizem tanto defender agora.

Duro, muito duro de acreditar.

05 novembro, 2009

sexo é uma arma de guerra

Há coisa de uns dez anos me lembro que, ao ver determinada (e esquecida) notícia a respeito da onda do politicamente correto em um jornal de grande circulação, pensei lá com meus botões que "o bom do Brasil estava ficando igual ao pior dos EUA", e me lembrei de tal raciocínio na semana passada, ao dar de cara com o caso da garota da Uniban, que todos à essa altura já devem conhecer. Como é que pode, uma turba de um país supostamente libertário condenando uma jovem, que absurdo.

O caso vem sendo uma das histerias coletivas mais engraçadas dos últimos tempos, um festival de hipocrisias tremendamente divertidas. Hilário condenar os estudantes por serem preconceituosos e em seguida lembrar que a Uniban é uma faculdade de pobre, não? Ou, melhor ainda, garotos e garotas educados de todo o país mostrarem toda sua revolta contra o caso na rede enquanto em algum momento de suas existências, já lançaram olhares desconfiados contra aquela garota que "dava pra todo mundo" da vizinhança. Existem inúmeros exemplos dentro de incontáveis variáveis, mas no final das contas o caso apenas revela um daqueles aspectos de nossa cultura que preferiríamos manter devidamente escondido debaixo do tapete.

Linchamentos são crimes complicados de investigar ou julgar porque a massa não tem rosto ou nome, e esse parece ser o caso. Na fúria de condenar os agressores da garota de vestido rosa, os inquisitores são tão perversos quanto a inquisição, despejando os mesmos berros e a mesma cólera sobre o objeto de seu ódio. A loucura momentânea ainda é a mesma, apenas mudou de lado. Todo aquele ódio e irracionalidade de alguma forma está dentro de nós, sempre esteve.

O pior de tudo é que o vestido da mocinha nem era tão curto assim.

13 outubro, 2009

glória inglória

"Há quem ache que vale a pena viver para acompanhar os filhos crescendo. Outros querem continuar vivos para ver as próximas Copas do Mundo. Os dois motivos me parecem justíssimos, e eu me confraternizo com a maioria das pessoas nesse desejo.
Mas eu acrescentaria à minha lista mais uma razão fundamental para permanecer sobre a Terra nos próximos anos: assistir aos filmes de Tarantino. É um privilégio pensar que eu ainda verei um punhado de filmes inéditos do cineasta nesta encarnação – se o mundo não acabar, se a vida permitir, claro."
Do blog do Ricardo Calil, gentilmente me recomendado pelo @camposdalton. O lado bom é que eu já sei o que vou fazer neste final de semana.

29 setembro, 2009

dois veados

É de conhecimento público que eu e o Panda nos odiamos profundamente. Em anos cultivamos uma sólida amizade baseada ofensas sutis, manias chatas e uma perturbadora predileção por carrinhos em miniaturas e filmes de guerra. No começo da tarde dessa terça-feira tivemos uma conversa realmente esquisita, digna de apreciação pública.

Thiago | says:
Olha isso - link para um home theather bluetooth que eu achei uma porcaria.
joão says:
Vamos supor que Panda compre um Home Theather bluetooth.
Thiago | says:
sim
joão says:
Então um dia Panda chega em casa e tem uma caixa enorme esperando por ele.
Thiago | says:
Certo.. até ai eu entendi
joão says:
Então Panda instala os cabos na televisão.
Thiago | says:
Sim
joão says:
Então Panda pega suas caixas de som-Panda e as coloca na melhor posição na sala, certo?
Thiago | says:
Yes
joão says:
Não será um grande desafio, pq as caixas de som panda do Panda tem bluetooth, certo?
Thiago | says:
Sim.. seria se tivessem fios.
joão says:
Ótimo.
Thiago | says:
Mas bluetooth NÃO
joão says:
Excelente, um avanço de tecnologia, coisa da Nasa, praticamente. Então Panda liga o seu novo Home Theather Panda Bluetooth pra ver um filme. Mas... que mágica faz essas caixas de som funcionarem?
Thiago | says:
Pilhas, provavelmente recarregáveis
joão says:
Ah. Então vc tá vendo um filme e as pilhas da caixa de som podem acabar depois de uma ou duas horas de filme, certo?
Thiago | says:
Não... Tecnologia de ponta... baixo consumo.
joão says:
Imagine que um dia vc queira ver todos os De Volta Para o Futuro numa pancada só. Seis horas de filme, mas as baterias de seu home theather hora ou outra vão precisar ser trocadas.
Thiago | says:
Vc está tentando se convencer a não comprar essa maravilha da tecnologia?
joão says:
Sim, estou. Então vc gasta 40 na caixa de DVD e mais 30 em 10 pilhas. Acho que tá mais que óbvio que caixas de som movidas à pilha são a pior idéia que alguém já teve.
Thiago | says:
Na minha casa... não tenho limites laterais para passar os fios.. De um lado é a porta da sacada e do outro fica a mesa de jantar eles teriam que passar por debaixo do tapete... blergh
joão says:
Excelente, sabe pq? Ninguém vai ver os fios debaixo do tapete, e as caixas vão funcionar por anos, anos e mais anos sem precisar de pilhas.
Thiago | says:
joao..
joão says:
Pq eu sei que um dia vc vai querer ver um filme e vai precisar sair de casa pra comprar pilhas. E sabe com quem vc vai chorar as pitangas? Comigo, via MSN.
Thiago | says:
Tem um home bluetooth lá por 859 reais, compra esse... é mais barato um pouco neh
joão says:
859 reais mais os 12 mil que vou gastar em pilhas.
Thiago | says:
Vc não vai assistir tanto filme assim quando casar
joão says:
Bom, quem avisa amigo é. Se vc tá insistindo que quer comprar essa coisa, problema é seu. Mas depois não venha reclamar comigo.
Thiago | says:
hum... ok... me manda 2 e uma coca...
joão says:
Movida à pilha?

11 agosto, 2009

pequenos finais

Ontem, por um desses acasos que acontecem por aí, entrei numa daquelas lojas que vendem revistas, mas que não são exatamente bancas de jornal – basicamente porque são feitas de alvenaria, não de chapas de metal. Em uma parede, havia as prateleiras com revistas e jornais, e em outra, um balcão que vendia material de papelaria. Nada de luxuoso, mas tremendamente digno. Sentado num banquinho ao lado da entrada, estava seu dono, um senhor de 75 anos que não vivia seus dias mais felizes.

Na realidade, lamentava. Seu humilde negócio, localizado num bairro sem-vergonha da cidade, dava seus últimos suspiros. “Porcaria, tudo porcaria. De todas essas revistas, só 10% delas vendem. O resto fica aí. Vou esperar mais um ou dois meses...”, dizia desconsolado, olhando para o que parecia ser o derradeiro momento de seu pequeno império, que já vivera dias mais felizes. Aberta há 25 anos, a lojinha fica localizada em uma rua que antigamente era o único caminho para os milhares de moradores das redondezas irem ao centro da cidade, mas a urbanização da área é apontada apenas como um dos fatores para a diminuição do movimento: “hoje em dia a internet dá tudo, o rádio da tudo... o que sobra para os jornais e as revistas?”, perguntava.

A discussão a respeito da sobrevivência dos impressos à era da internet é longa e desinteressante, mas no mundo real – tantas vezes desprezado pelos estudiosos de qualquer natureza – a coisa seja um tanto diferente. Antigamente não se encontravam revistas, jornais e outros produtos diversos em supermercados ou padarias, e pelo menos por aqui os shopping centers (que em inglês são conhecidos como mall) eram um luxo dos grandes centros urbanos. A concorrência de redes de atuação nacional – seja na venda de revistas, roupas, livros, alimentos e etcetera – faz com que sobre pouco, muito pouco, para os pequenos comércios familiares, localizados nas ruas movimentadas da cidade e tocados por gente mais interessada em ajeitar sua vida do que em discutir das tendências do consumo para as próximas décadas. E seja lá o segmento de mercado, os primeiros que sentem o baque são eles.

A conversa continuou por alguns minutos. Descobri que o senhor é o membro de maior idade de uma tradicional família da cidade: "por isso tenho que tomar cuidado com a saúde, porque o próximo pode ser eu", disse, enquanto olhava para o cenário decorado pelos sorrisos das celebridades estampados nas capas dos periódicos - sem dúvida, os mais felizes do recinto.

Acabei comprando duas revistas, o melhor que podia fazer dadas as circuntâncias. “A primeira venda do dia”, por volta das 15h30, um cenário pouco animador. Dei meus sinceros votos ao senhor que de que o melhor acontecesse, e simplesmente fui embora.